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quinta-feira, 31 de março de 2016

Mau Maria?


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Tu sabes que precisas de emagrecer urgentemente quando os seres mais distraídos deste planeta, os homens, te vêem após a Páscoa e dizem sempre "Então, tudo bem? Muitos coelhos na Páscoa?".

Até diria que me ia afogar nos chocolates para pensar nisso, mas ao que parece a única coisa onde devo ir afogar-me é em água para abater a banha.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Copo Menstrual

Hoje venho falar de menstruação... O 'bicho papão' da vida de todas as mulheres, o bichinho incomodo que existe para meter a vida das mulheres em parafuso, enfim...o bicho... ok! já entenderam a ideia: eu não sou fã do 'amiguinho' período.

Tudo o que roda em volta do mesmo deixa-me em ponto de rebuçado. É a semana da TPM em que devoro todos os chocolates, batatas fritas, gomas, etc que me apareçam a frente, é as cólicas que tenho que me deixam deitada na cama com saquinhos de água quente, é as enxaquecas que aparecem na semana antes e durante, é toda a logística de achar tudo extremamente pouco higiénico, é o andar com as idas ao wc cronometradas...enfim. Passo o tempo todo a desejar ter nascido homem e com uma neura que alguém fala "olá" e eu digo "mas ainda não te calaste?!".

Fiquei menstruada pela primeira vez aos 11 anos, o que tendo em conta, foi cedíssimo. Pleno Agosto, dia antes das tão esperadas férias na piscina da terra da minha mãe. Disse à minha mãe e ela com todo o cuidado pôs-se a falar de pensos e como os usar. Lembro-me de fazer cara de 'então e a minha piscinazinha, hã?' e da irmã mais velha chegar ao pé de nós e dizer 'isto é um tampão.Usa-se assim e assim...' e novamente a minha cara de 'sim! sim! Então e a piscina hã?' e num passe de mágica ouvir um 'podes ir à piscina com tampões'. Riiiing... riiing... riiing!
Não me lembro de ter qualquer tipo de problema com a adaptação aos tampões, talvez porque a ânsia de ir à piscina fosse maior do que o drama de 'mas isto enfia-se lá dentro?! Bleck!'.

Hoje, volvidos quinze anos (God! Já foi à imenso tempo) a ideia de usar pensos é de todo impensável e os tampões continuam a ser os companheiros dos dias de neura.

Até que...
... no meio de tanta infeção urinária que eu tenho tendência a adquirir e no meio do dinheirão que vejo desaparecer do meu bolso para comprar tampões, me falam de copos menstruais.
Pronto! Falam de coisas que não conheço e tenho de saber tudo sobre elas. Após pesquisa sei que se trata de um copinho de silicone(há marcas que não são de silicone) que se insere na vagina e que recolhe (não absorve como o tampão faz) todo o período de forma interna, sem deixar escapar nada para fora através do vácuo que o copo faz nas paredes vaginais. Ao fim de 12 horas recolhe-se o copo (puxando e apertando o fundo para 'terminar' com o vácuo), deita-se fora o conteúdo, lava-se com água e sabão e está pronto a inserir por mais 12 horas seguidas.
Ora, o primeiro pensamento foi que 12 horas de recolha teria de ser uma coisa enorme porque a sensação que se tem é que a quantidade é enorme, mas aparentemente e após o ter nas mãos confirmei que é pequeníssimo.
Por falar em tamanhos... cada mulher tem um tamanho diferente tendo em conta a actividade física, a actividade sexual e o número de filhos, mas isso encontram facilmente na embalagem dos mesmos qual o mais adequado.
O copo menstrual quando bem manuseado (após os dias do período mensal deve-se esterilizar o mesmo em água a ferver durante 2 minutos e deixar secar ao ar livre) dura 10 anos, o que representa uma poupança maluca de dinheiro.
O meio ambiente agradece ainda mais do que a minha carteira porque nada de tampões deitados para o lixo de forma recorrente.
A saúde intima torna-se também mais assegurada porque, ao contrário dos tampões que absorvem não só período mas também alteram a composição da mucosa vaginal e dos pensos que causam infeções pois quer se queira quer não é um sítio húmido com bactérias em contacto directo com a pele, os copos menstruais são de material totalmente seguro (o meu é do material das tetinas dos biberões dos bebés) e apenas recolhem a menstrução ao invés de alterar a composição da mucosa ao absorvê-la.

Comprei o meio da marca MeLuna e custou 23€ na Wells, no Continente. Mas existem diversas marcas disponíveis no mercado. Como podem ver abaixo nas fotos, o copo não é maior do que os dedos das minhas mãos.


É assim que se insere
Pega redonda é uma das opções


Pequenino

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Saúde

foto by Walter Groesel
Chegou a altura do Check-up anual à minha/vossa saúde.

Para quem pôs como objectivo de 2016 na Passagem de Ano cuidar da saúde, aconselho a não adiarem uma visitinha ao vosso médico. Para quem não se propôs ao mesmo na passagem do ano, bem... aconselho a irem na mesma.

Esta semana tem sido dedicada à minha saúde física e mental. *Fingers crossed* para tudo correr bem/estar bem.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Um bicho chamado Ansiedade

Há uns tempos atrás comecei uma rubrica chamada : Ufa por momentos tive sentimentos. Admito que ainda só escrevi uma vez nesta rubrica, mas tendo em conta que vou falar de algo relacionado com sentimentos, neste post, achei que seria pertinente falar nisso.

Há cerca de oito meses atrás, sem razão aparente, fui de viagem num autocarro para Fátima. Uma hora e meia de caminho tornou-se na pior viagem que já fiz na minha vida, porque enjoei e vim sentada na escada perto do wc a viagem toda. Na volta - e ainda bem, agora que penso nisso - vim a conduzir de carro (o que fez com que corresse tudo bem, visto ter sido eu a conduzir).

A partir daí tudo descambou... enjoos cada vez que entrava num carro ou autocarro (a tal ponto que toda a gente com quem eu falava dizia logo de caras que eu estava grávida). Daí espalhou-se para todo um problema geral no sistema digestivo. Basicamente e para deixar uma ideia, a minha vida passou a ser num wc. Fui ao médico por diversas vezes e entre urgências no centro de saúde, a urgências no hospital, a consultas na médica de família, fiz uma porradona de exames (entre suspeitas de problemas de vesícula, a estômago, a apêndice, infecções urinárias, enfim...) e tomei medicamentos para cada um dos sintomas que apresentava.

Fui de comboio (o único meio de transporte onde me sentia confortável) passar umas férias no Algarve com amigas minhas (a ideia de estar com as amigas foi bem sucedida, mas confesso que não aproveitei nada da praia porque fiquei quase sempre por casa por me sentir desconfortável), mas quando voltei (e mesmo com imensas hipóteses de ir à praia com a família e até ter de viajar para Trás-os-Montes para o casamento do meu primo) não sai mais de casa. Quando o fazia simplesmente sentia-me mal e voltava mais cedo para casa ou ao último minuto cancelava os meus planos porque me tinha sentido mal (às vezes mesmo enquanto me arranjava para sair).

Surgiram então os ataques de ansiedade. A ideia de me sentir mal e não ter wc por perto ou a ideia de estar longe de casa se me sentir mal ou situações onde normalmente os nervos já são um adereço normal (como entrevistas de emprego ou provas de conhecimentos para as mais diversas áreas) deixava-me/ deixa-me com um nó no peito, com a sensação de falta de ar, com uma sensação de impotência (por muito que saibas que estás a respirar e que não há razão para estar assim desesperada e para chorares, o teu corpo não aceita essas 'desculpas' porque quem manda no momento é o teu sistema nervoso e ele sim toma conta de ti tanto a nível físico como mental). A tua cabeça fica pesada e só pensa que se te mexeres e se te atreveres a 'desobedecer' ao teu sistema nervoso, vai-te acontecer algo de muito mau - que te irá certamente acontecer a coisa que mais receias na tua vida. É a sensação de que alguém te agarra num abraço sufocante e decide que sem te largar é uma boa altura para mergulhar contigo num oceano e não te deixar vir à superfície para respirar. Sentes-te presa e encurralada a um momento que sabes que é absurdo mas do qual não consegues escapar. As palavras são difíceis de conjugar e mesmo que tentes falar a falta de ar que sentes e as lágrimas que escorrem pela tua cara, tornam a tarefa extremamente difícil. O pensamento que mais pensas é : controla-te, controla-te, controla-te, mas no momento essa é a tarefa pior de se executar e existem outras coisas que te vão passando simultaneamente na cabeça que não te deixam 'ver' as coisas claramente. Quando finalmente e como por milagre (acho que é porque o corpo está esgotado e entra em 'shut down') sentes que te consegues mexer lentamente e consegues falar e que as lágrimas não escorrem mais pela tua cara, mas sabes que o peso do cansaço do 'episódio' vai ficar no teu corpo durante dias como se tivesses sido atropelada por um caminhão e tenhas de pedir autorização para te conseguires mexer ao ritmo dito normal. Há uma descarga emocional envolvida no processo que 'acaba' com a pessoa.

O problema é que com os ataques de ansiedade, os sintomas físicos de enjoar, ter dores de cabeça frequentes, ter imensa sonolência, ter cólicas e sentir necessidade urgente de ir a um wc pioram. A pedido dos médicos, e para melhorar os sintomas físicos, mudei ainda a minha alimentação de modo radical (não como legumes, fruta - aparte da banana e maçã cozida -, fritos, doces - excepto chocolate preto -, pão com excepção de carcaças, frutos secos, cebola, iogurtes, bebidas alcoolicas, enfim... ) e eventualmente emagreci 15kg em seis meses (mesmo sabendo que precisava de perder os kg saber que aconteceu porque fiquei assim e não porque o quis fazer não me deixa contente).

Neste momento posso dizer que embora esteja sem enjoos o que contribui para poder deslocar-me de carro, os outros sintomas mantém-se e aparecem de forma inesperada (mas não de forma tão frequente como antes), o que fez com que comece os próximos dias medicação para a ansiedade. É algo que assusta, não vou mentir. Drogas que mexem com o nosso sistema nervoso e que podem de um modo geral alterar a pessoa que tu és, assusta. Mas chega a um ponto em que os próprios ataques de ansiedade não te deixam ser quem és e quem gostas de ser para os outros. A tua vida social (e não falo de copos com os amigos mas mesmo aqueles momentos em que queres estar simplesmente lá para os teus amigos e familiares) é afectada enormemente e o vazio que te deixa no peito cada um dos ataques de ansiedade são coisas que preciso de ultrapassar.

Durante estes dois dias tive a pensar se escrevia ou não este post. É algo pessoal é verdade e é algo que afecta aqueles próximos de mim e não algumas pessoas que irão ler este post, mas acredito que existem pessoas por aí que passam pelo mesmo (e assim sabem que não estão sozinhas) e acho que existem pessoas que precisam de perceber que ansiedade é uma coisa real e que não é algo que alguém inventa para se desculpar de não estar tantas vezes presente.
Para mais informações acerca deste assunto, ver aqui.  Ver ainda as fotografias que Joy Katie Crawford fez para ilustrar o transtorno de ansiedade de que ela própria é vítima há anos.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Conquista no Feminino #3

Sofia Ribeiro na sua luta contra o cancro da Mama tem representado e inspirado todas as mulheres que sofrem desta doença traiçoeira que tanta dor emocional e física provoca.

Hoje, publicou na sua página do facebook (o seu cantinho de partilha e desabafo público) um vídeo relativo à queda do seu cabelo. A emoção transmitida e os sentimentos envolventes apertam o coração, mesmo a quem não lhe é próximo, porque (e talvez de modo egoísta) nos põe a pensar na nossa própria (e na do que nos são próximos) saúde.

Obrigada, Sofia (sinto-me tão próxima que escrever aqui o seu apelido não fazia sentido).

"Passei a escova e caiu. (...) o mais importante é não nos deixar cortar por dentro, não nos deixar cortar a alma. (...) Ele a seu tempo, volta a crescer. (...) Confia." - Sofia Ribeiro, no seu facebook.

A luta será vencida e esta "Conquista no Feminino" fará completamente sentido em todas as vertentes.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Dia Mundial da Luta contra a SIDA

Boas notícias em Portugal.

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Luta contra a SIDA e a causa acho que é inquestionavelmente boa. Embora o avançar da medicina, forneça qualidade de vida a um portador de HIV, a verdade é que a discriminação em torno da mesma continua em alta (infelizmente) e o facto é que se trata de uma doença e o mais importante na vida de uma pessoa é a saúde. Portanto, os riscos devem ser erradicados e ter-se noção de que a nossa saúde poderá estar em causa aquando de um comportamento de risco.

Em Portugal, a Organização Mundial de Saúde - Europa e o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) mostram que somos um dos seis países da União Europeia que diminuiu 25% das novas infecções. É raro para os portugueses ouvirem falar de coisas positivas acerca do nosso país, mas a verdade é que estas notícias (quando faladas) trazem novo ímpeto à ideia do nosso pequeno país.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Conquista no Feminino #1

Bom dia!
Espero que tenham tido um São Martinho, onde o cheiro da castanha assada tenha sido a maior lembrança do vosso dia. Aqui por casa ainda o é porque aconteceu um acidente pequenino (mea culpa) e deixei estorricar a primeira fornada de castanhas. Foi de tal forma que hoje de amanhã toda a casa cheira a castanhas... queimadas.
Mas este post é sobre algo muito mais importante do que a minha aselhice.



Este post é sobre a Primeira professora com Síndrome de Down do Brasil. Mas mais! A Primeira professora com Síndrome de Down recebeu o prémio Darcy Ribeiro de Educaçao 2015, que é entregue anualmente no Brasil, a três figuras importantes da área da educação. Débora Seabra tem 34 anos e apoia a inclusão de pessoas com Trissomia 21 no ensino regular para que, tal como ela, tenham acesso a oportunidades que ela enquanto aluna nestas escolas teve.
Débora para além da sua ocupação como professora, lançou o livro "Débora conta História" de apoio à diferença e faz palestras em diversos países - Portugal incluído - para acabar com o preconceito.

Esta, meus amigos, é a primeira história que escolhi para enquadrar a nova rubrica aqui do blog "Conquista no Feminino", não apenas porque a Débora tem Síndrome de Down, mas porque o tema é-me particularmente querido. A minha mãe tem uma irmã com Trissomia 21 e embora o mais correto fosse dizer: "eu tenho uma tia com Trissomia 21", a verdade é que ela é chamada pelos sobrinhos todos (e somos imensos!) apenas por Dulce. Não sei o porquê, não sei se é hábito de todos, se é porque ela quando éramos pequenos dizia que era a Dulce. Sei que todos gostam dela (às vezes de uma maneira para mim difícil de compreender) e que ela é a NOSSA Dulce.
A Dulce, contrariamente à Débora e devido a várias razões, não tem qualquer instrução. Não sabe ler nem sabe escrever. Andou numa escolinha para aprender "a cuidar da casa" e durante anos, desempenhou essa tarefa com o maior orgulho pessoal. Apega-se imenso às pessoas e devido a isso adorava cuidar dos sobrinhos pequeninos - não faço parte do rol dos sortudos, mas dei os meus primeiros passos porque no Natal quando nos visitou, começou a chamar por mim e eu larguei a bancada e fui ter com ela. Não há pessoa na minha enorme família que não tenha uma destas histórias para contar acerca da Dulce. Mas ela, ao contrário da Débora, sempre foi considerada como alguém que precisa de um responsável. Sempre precisou de alguém a quem chamar tutor ou simplesmente saber que a mãe estava sempre lá para ela. Muitas vezes, ela disse que ia casar como as irmãs todas, mas hoje sabemos que ela sem a mãe iria sofrer imenso.

Cada vez que vejo histórias de portadores de Síndrome de Down que venceram em alguma coisa na vida tenho orgulho. Não que não tenha orgulho por a minha Dulce não fazer parte do rol de medalhados e premiados e homenageados, mas porque tenho noção de algumas dificuldades porque eles passam e sei que muitas vezes são olhados por desconhecidos como pessoas que devem manter-se afastadas da população dita "normal" quando o que deviam perceber é que os "anormais" são aqueles que pensam assim. Acho bem terem os seus direitos resguardados na sociedade, mas acho que todos os cidadãos deste mundo devem ter sempre os seus direitos resguardados na sociedade.

Para os interessados, consultem os sites da Associação de Portadores de Trissomia 21 que têm todo um rol de actividades de apoio e até a nível de saúde vos direcciona para médicos que lidam frequentemente com os portadores de Síndrome de Down; e o site dos Pais e Amigos 21, do qual confesso não tenho nenhum conhecimento para além do site em si. Carreguem nas imagens para serem direccionados para os sites.



Créditos: Fotos retiradas da internet.